Meia-noite e um quarto.

Passa a certeza dos dias
e morre a confiança na noite.
Ameaça meus instintos.
No final diz: foi só uma coisa,
Assim.

Posted in Arquivo | Leave a comment

Grupo francês traz a musicalidade de Hilda Hilst em seu primeiro disco

Formado pela cantora Milena Rousseau e pelos violonistas Singhkèo Panya e David Krupinski, Miroda faz o estilo minimalista/acústico, muito próximo ao fado Português. Continue reading

Posted in Arquivo | Leave a comment

Sábado

Eu não lembro o momento que terminou meu copo de uísque. Quem sabe foi no instante em que as luzes piscavam incessantemente e a música já não era mais audível. Sutil, breve, não lembro muita coisa. Minha cabeça girava e meus pés, pediam o sossego de uma cama, enquanto você buscava minhas pernas.
Depois, o vazio. Com esperança, pedi teu corpo pra aquecer o frio da manhã, mas ele já não estava.

Posted in Arquivo | Leave a comment

Dor de infância

Dor de infância
a mão que levanta
dá uma sumanta
e tu gritas ao léu

Dor de infância
a mão que arranca
e vejo que espanca
teu sonho infantil

Dor de infância
que eu vejo febril
mas não sou viril
para curar

Dor de infância
vejo tu, criança,
pela janela indiscreta,
pela porta aberta

E corta meu peito
te ver maleixo
estirado no chão

Queria lhe cobrir
com um véu,um manto,
um canto, um rezar santo,
mas sou só pranto

Dor de infância
É quando morre o menino,
pois «não há pandorgas no céu».

Posted in Arquivo | Leave a comment

Agosto

Aquela madrugada se fez tão fria, endurecendo as roupas do varal. Gélida, que o pássaro que cantava sob minha janela todas as manhãs, não apareceu. Seria uma típica manhã invernal, se não fosse o vulto a me dizer: «Dorme meu filho, ainda é cedo. Vou sair para comprar morangos». E nunca mais voltar.

Posted in Arquivo | Leave a comment